Preciso de um CRM ou basta uma folha de cálculo?
A resposta depende menos do tamanho da empresa e mais de três sinais concretos. Enquanto não aparecerem, a folha resolve e custa zero.
Uma folha de cálculo chega enquanto houver uma pessoa a vender, poucas dezenas de oportunidades por mês e ciclos de venda curtos. Passa a fazer falta um CRM quando há mais do que uma pessoa a mexer nas mesmas oportunidades, quando o seguimento depende de alguém se lembrar, ou quando já não consegue dizer em que ponto está cada negócio sem perguntar.
O que uma folha faz bem
Muito mais do que se admite. Uma folha partilhada com data de entrada, origem, responsável, estado e próximo passo resolve o essencial da gestão comercial e tem três vantagens: é imediata, toda a gente sabe usar e não obriga a mudar hábitos.
Na maior parte das empresas que acompanho, o problema nunca foi a ferramenta. Foi não existir campo nenhum onde escrever o próximo passo.
Os três sinais de que a folha deixou de chegar
1. Mais do que uma pessoa a tocar nas mesmas oportunidades
Duas pessoas a editar, a filtrar e a ordenar a mesma folha acabam sempre com linhas apagadas por engano e com dois contactos à mesma pessoa. Um CRM resolve isto com histórico por registo.
2. O seguimento depende de memória
Se não existe nada que avise que uma proposta foi enviada há cinco dias sem resposta, o seguimento acontece por acaso. É aqui que se perde mais negócio.
3. Já não consegue responder à pergunta simples
Quantas propostas estão em aberto, no valor de quanto, e quais estão paradas há mais de duas semanas. Se para responder tem de perguntar às pessoas, o sistema é a memória delas.
A ferramenta não cria processo. Só torna visível o processo que já existe, ou a falta dele.
O erro de comprar CRM cedo demais
Um CRM adotado antes de existir processo transforma-se em arquivo morto: campos por preencher, fases que ninguém usa e uma equipa convencida de que a culpa é do software. Depois vem a segunda ferramenta, e o ciclo repete-se.
A ordem que funciona é a inversa: primeiro definir estados e próximo passo na folha, viver com isso um mês, e só depois traduzir esse processo já rodado para a ferramenta.
O que não pode faltar, seja qual for a ferramenta
- Origem ao nível do anúncio, e não apenas do canal, para conseguir ligar vendas a campanhas.
- Data e hora de entrada, para medir o tempo de resposta.
- Responsável com nome.
- Próximo passo com data.
- Estado final, ganho ou perdido, com motivo.
Estes cinco campos valem mais do que qualquer funcionalidade avançada. Sem eles, nem o CRM mais caro responde a nada.
Como escolher, quando chegar a altura
Escolha pelo que a equipa vai realmente usar todos os dias, não pela lista de funcionalidades. Três critérios práticos: que registe conversas de WhatsApp se é aí que vende, que permita automatizar a entrada das leads sem copiar e colar, e que dê um quadro de fases perceptível em cinco minutos.
Em resumo
A folha não é uma solução pobre, é a solução certa durante mais tempo do que se pensa. O momento de mudar chega quando o custo de manter a folha atualizada começa a ser maior do que o de aprender a ferramenta.
Perguntas frequentes
Qual CRM recomenda?
Não recomendo nenhum à partida. A escolha muda conforme o canal onde vende, o volume e as integrações que já tem. Recomendar sem ver isso é vender preferência pessoal.
Vale a pena migrar o histórico todo?
Normalmente não. Migre as oportunidades em aberto e os clientes ativos, e mantenha o histórico antigo em arquivo.
E se a equipa não preencher?
Então os campos são demais ou não está claro para que servem. Reduza ao mínimo e mostre o relatório que sai deles: quando a equipa vê o resultado, passa a preencher.
Publico um artigo destes todas as quartas às 9h. Receba o próximo por email.
