Início / Blog / Artigo

Processo comercial

Como fazer seguimento sem parecer insistência

Muitas empresas perdem oportunidades por medo de incomodar. Outras incomodam mesmo. A diferença entre as duas não está no número de contactos, está no que cada contacto traz.

Envelope creme fechado com selo de lacre terracota ao lado de flores secas
Resposta curta

O seguimento parece insistência quando repete o mesmo pedido (“já pensou na proposta?”). Deixa de parecer quando cada contacto traz alguma coisa nova para a pessoa, acontece num momento que ela própria aceitou e lhe deixa uma forma fácil de dizer que não. Para isso, o seguimento precisa de ser combinado na primeira conversa, registado num sítio que a equipa consulte e terminado com uma mensagem de fecho, em vez de desaparecer em silêncio.

Porque é que o seguimento parece insistência?

Porque, quando irrita, costuma ser uma cobrança disfarçada. “Só queria saber se já decidiu” pede à pessoa uma resposta que ela ainda não tem e não lhe dá nada em troca. Ao terceiro contacto igual, a única forma de terminar a conversa é deixar de atender.

O problema não é contactar várias vezes. É contactar várias vezes com a mesma mensagem. Quem recebe não sente que está a ser ajudado a decidir, sente que está a ser pressionado a decidir mais depressa.

A boa notícia é que a correção não exige ser mais tímido. Exige preparar melhor cada contacto.

O que deve ficar combinado logo na primeira conversa?

O seguimento mais fácil é o que a pessoa autorizou. No fim da primeira conversa, antes de desligar, vale a pena fazer duas perguntas simples:

  • “Quando faz sentido voltarmos a falar?” A pessoa diz uma data, ou pelo menos uma altura (“depois de falar com o meu sócio”, “no início do mês”). A partir daí, o próximo contacto já não é uma interrupção, é um compromisso dos dois.
  • “Prefere que o faça por chamada, mensagem ou email?” Há pessoas que não atendem números desconhecidos mas respondem depressa a uma mensagem. Perguntar evita insistir no canal errado.

Com estas duas respostas registadas, o contacto seguinte começa assim: “Combinámos falar esta semana, depois da reunião com o seu sócio.” É muito difícil isto soar a insistência.

O que deve levar cada contacto?

Uma razão nova para falar. Antes de cada mensagem ou chamada, a pergunta é: “o que é que esta pessoa ganha com este contacto, mesmo que ainda não decida?”. Algumas respostas possíveis:

  • Uma resposta à dúvida que ela levantou. Se na primeira conversa perguntou pelos prazos ou pelas condições de pagamento, o seguimento traz essa informação concreta.
  • Um exemplo parecido com o caso dela. Um cliente do mesmo setor, com o mesmo problema, e o que aconteceu depois.
  • Uma novidade que muda a decisão. Uma vaga na agenda, uma alteração de preço com data, uma condição que termina.
  • Um conteúdo útil para a decisão. Um artigo, um guia, uma comparação. Útil para ela, não para mostrar a empresa.

Se não houver nada de novo para dizer, em muitos casos o melhor seguimento é esperar pela data combinada.

Se o contacto só serve para perguntar se já decidiu, ainda não está pronto para ser feito.

Quantas vezes, e com que intervalo?

Não existe um número certo para todos os negócios, e desconfio de quem o apresenta como regra. Um serviço que se decide numa semana pede outro ritmo do que uma compra que se pensa durante meses.

O que funciona em qualquer ritmo é ter uma sequência definida antes de começar, em vez de improvisar contacto a contacto. Por exemplo: um contacto logo a seguir ao pedido, outro no dia combinado, um terceiro com uma razão nova uns dias depois, e uma mensagem de fecho. A sequência certa para a sua empresa descobre-se com os seus dados: em que contacto é que as pessoas costumam responder, e a partir de que contacto deixam de o fazer.

Há uma parte em que os dados são claros: o primeiro contacto pesa muito. Uma auditoria a 2.241 empresas publicada na Harvard Business Review concluiu que responder dentro da primeira hora dá quase sete vezes mais probabilidade de qualificar a lead do que responder depois. Um bom seguimento não compensa um primeiro contacto que chegou tarde. Escrevi sobre isso em o que deve acontecer nos primeiros cinco minutos.

Como terminar o seguimento sem fechar a porta?

Com uma mensagem de fecho, em vez de desaparecer. Algo como: “Não quero estar a ocupar-lhe a caixa de mensagens. Vou deixar de lhe escrever sobre isto. Se mais tarde fizer sentido, basta responder a esta mensagem.”

Esta mensagem tem duas vantagens. Tira a pressão de cima da pessoa, o que por vezes é precisamente o que faltava para ela responder. E deixa a relação num ponto em que é fácil retomá-la daqui a uns meses, sem constrangimento de parte a parte.

Depois disso, a pessoa não sai da lista. Fica registada como “mais tarde”, com a razão e a data em que vale a pena voltar a tentar. Falei dessas leads que chegam cedo demais em porque é que as leads dizem que “só estavam a ver preços”.

Onde se regista tudo isto?

Num sítio que toda a equipa consulte, seja uma folha de cálculo ou um CRM. O que importa é que, para cada oportunidade, esteja escrito o próximo passo e a data, o canal preferido, o que já foi enviado e o que a pessoa disse.

Sem esse registo, o seguimento depende da memória de quem fez a primeira chamada. E é aí que acontecem duas falhas que saem caras: a pessoa que ficou de ser contactada na terça e ninguém ligou, e a pessoa que recebe a mesma mensagem de duas pessoas diferentes da equipa. Se está a decidir onde fazer esse registo, comparei as duas opções em preciso de um CRM ou basta uma folha de cálculo?.

Em resumo

Seguimento não é insistência quando é combinado, quando cada contacto traz uma razão nova e quando termina com uma saída fácil. Combine a próxima data e o canal na primeira conversa, prepare cada contacto a pensar no que a pessoa ganha com ele, registe tudo num sítio partilhado e feche com uma mensagem em vez de desaparecer.

Se quiser perceber o que acontece às suas leads depois do primeiro contacto, e onde se estão a perder, faço um diagnóstico sem compromisso e digo-lhe o que encontrei.

Perguntas frequentes

Posso automatizar o seguimento?

Em parte. Lembretes, emails com informação útil e mensagens de confirmação podem ser automáticos. A conversa em que se percebe o que a pessoa precisa e se combina o próximo passo continua a ser de uma pessoa. Uma sequência automática que ignora o que foi dito na chamada pode facilmente soar a insistência.

E se a pessoa nunca atende nem responde?

Tente canais diferentes em horários diferentes, ao longo de alguns dias, e depois envie a mensagem de fecho. Uma pessoa que não responde a nada também está a dar uma resposta, e é melhor aceitá-la de forma elegante do que desgastar a relação.

Mensagem ou chamada, o que é melhor?

O que a pessoa preferir, por isso vale a pena perguntar. Quando não sabe, uma mensagem curta que avisa que vai ligar, e porquê, pode tornar a chamada mais bem recebida.

Devo voltar a contactar quem disse que não?

Se o “não” foi “agora não”, sim, na altura que ficou registada. Se foi um não definitivo, respeite-o. Voltar a insistir com quem já disse claramente que não é a definição exata de insistência.

Retrato de Elisabete Silva

Elisabete Silva

Estrategista e implementadora de sistemas de aquisição e conversão para empresas de serviços. Mais de 40 projetos e mais de 500 mil euros de investimento em publicidade acompanhado, em imobiliário, saúde, educação, tecnologia e serviços profissionais.

Sobre mim

Publico um artigo destes todas as quartas às 9h. Receba o próximo por email.

Prefere ver isto aplicado ao seu caso?

Analiso o percurso da sua lead até à venda e mostro-lhe onde está a falha.